Nota de Imprensa

A construção do Extremely Large Telescope do ESO vai a metade

11 de Julho de 2023

O Extremely Large Telescope (ELT) do Observatório Europeu do Sul (ESO) é um telescópio terrestre revolucionário que terá um espelho principal de 39 metros e será o maior telescópio ótico/infravermelho do mundo: o maior olho do mundo virado para o céu. A construção deste projeto tecnicamente complexo está a avançar a bom ritmo, tendo o ELT chegado agora a metade da sua construção.

O telescópio situa-se no topo do Cerro Armazones no deserto chileno do Atacama, onde engenheiros e operários estão atualmente a montar a estrutura da cúpula do telescópio a um ritmo impressionante. Notando-se claramente mudanças de dia para dia, a estrutura de aço adquirirá em breve a típica e conhecida forma redonda das cúpulas dos telescópios.

Os espelhos do telescópio e outros componentes estão a ser construídos por empresas na Europa, onde os trabalhos também estão a avançar a bom ritmo. O ELT do ESO contará com um design ótico pioneiro composto por cinco espelhos, que inclui um espelho principal gigante (M1) constituído por 798 segmentos hexagonais. Mais de 70% das peças em bruto e dos suportes para estes segmentos já foram fabricados, enquanto os espelhos M2 e M3 já foram fundidos e estão agora a ser polidos. Os progressos no M4, um espelho adaptável e flexível que ajustará a sua forma mil vezes por segundo para corrigir as distorções causadas pela turbulência do ar, são particularmente impressionantes: as suas seis pétalas finas estão finalizadas, estando atualmente a ser integradas na sua unidade estrutural. Além disso, as seis fontes de laser, outro componente-chave do sistema de ótica adaptativa do ELT, foram também já fabricadas e entregues ao ESO para serem testadas.

Todos os outros sistemas necessários para completar o ELT, incluindo o sistema de controlo e o equipamento necessário para montar e pôr em funcionamento o telescópio, estão também a progredir bem no seu desenvolvimento ou produção. Além disso, os quatro primeiros instrumentos científicos com que o ELT será equipado encontram-se na fase final de conceção, estando alguns prestes a começar a ser fabricados. Adicionalmente, a maior parte das infraestruturas de apoio ao ELT está já instalada no Cerro Armazones ou nas suas proximidades. Por exemplo, o edifício técnico que, entre outros, será utilizado para o armazenamento e revestimento de diferentes espelhos do ELT está totalmente construído e equipado, enquanto uma central fotovoltaica que fornece energia renovável ao local do ELT começou a funcionar o ano passado.

A construção do ELT do ESO começou há nove anos atrás com uma cerimónia de lançamento da primeira pedra. O topo do Cerro Armazones foi aplanado em 2014 para dar espaço ao telescópio gigante.

Prevê-se, no entanto, que a conclusão dos restantes 50% do projeto seja significativamente mais rápida do que a construção da primeira metade do ELT. A primeira metade do projeto incluiu o longo e meticuloso processo de finalização da conceção da grande maioria dos componentes a fabricar para o ELT. Adicionalmente, alguns dos elementos, tais como os segmentos de espelho e os seus componentes e sensores de apoio, exigiram a construção de protótipos pormenorizados e ensaios significativos antes de se passar à produção em massa. Não nos podemos ainda esquecer que a pandemia de COVID-19 afetou a construção, tendo o local estado encerrado durante vários meses e a produção de muitos dos componentes do telescópio sofrido atrasos. Com os processos de produção agora totalmente retomados e otimizados, prevê-se que a finalização da restante metade do ELT demore apenas cinco anos. No entanto, a construção de um telescópio tão grande e complexo como o ELT não está obviamente isenta de riscos até este estar concluído e a funcionar.

O Diretor Geral do ESO, Xavier Barcons, afirma: "O ELT é o maior da próxima geração de telescópios terrestres que operarão no ótico e infravermelho próximo, sendo também o que está mais avançado na sua construção. Atingir os 50% de conclusão não é de todo um feito menor, tendo em conta os desafios inerentes a projetos grandes e complexos. A chegada a este marco só foi possível graças ao empenho de todas as pessoas que trabalham no ESO, ao apoio contínuo dos Estados Membros desta Organização e ao empenho dos nossos parceiros na indústria e nos consórcios de instrumentos. Estou muito orgulhoso pelo facto do ELT ter atingido este marco".

Previsto para dar início às observações científicas em 2028, o ELT do ESO abordará questões astronómicas tais como: Estaremos sós no Universo? Serão as leis da física universais? Como é que se formaram as primeiras estrelas e galáxias? O ELT irá mudar radicalmente a nossa compreensão do Universo, fazendo-nos repensar o nosso lugar no cosmos.

Notas

A percentagem de conclusão do ELT é estimada com base no seu "valor ganho", uma métrica de gestão de projetos utilizada para avaliar o progresso de um projeto que leva em linha de conta o calendário e o custo. Atualmente, o ELT está a 50% do plano do projeto.

Informações adicionais

O Observatório Europeu do Sul (ESO) ajuda cientistas de todo o mundo a descobrir os segredos do Universo, o que, consequentemente, beneficia toda a sociedade. No ESO concebemos, construimos e operamos observatórios terrestres de vanguarda — os quais são usados pelos astrónomos para investigar as maiores questões astronómicas da nossa época e levar ao público o fascínio da astronomia — e promovemos colaborações internacionais em astronomia. Estabelecido como uma organização intergovernamental em 1962, o ESO é hoje apoiado por 16 Estados Membros (Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça), para além do Chile, o país de acolhimento, e da Austrália como Parceiro Estratégico. A Sede do ESO e o seu centro de visitantes e planetário, o Supernova do ESO, situam-se perto de Munique, na Alemanha, enquanto o deserto chileno do Atacama, um lugar extraordinário com condições únicas para a observação dos céus, acolhe os nossos telescópios. O ESO mantém em funcionamento três observatórios: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera o Very Large Telescope e o Interferómetro do Very Large Telescope, assim como telescópios de rastreio, tal como o VISTA. Ainda no Paranal, o ESO acolherá e operará o Cherenkov Telescope Array South, o maior e mais sensível observatório de raios gama do mundo. Juntamente com parceiros internacionais, o ESO opera o APEX e o ALMA no Chajnantor, duas infraestruturas que observam o céu no domínio do milímetro e do submilímetro. No Cerro Armazones, próximo do Paranal, estamos a construir “o maior olho do mundo voltado para o céu” — o Extremely Large Telescope do ESO. Dos nossos gabinetes em Santiago do Chile, apoiamos as nossas operações no país e trabalhamos com parceiros chilenos e com a sociedade chilena.

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Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso2310, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contacto local com os meios de comunicação social, em ligação com os desenvolvimentos do ESO. A representante do nodo português é Margarida Serote.

Sobre a Nota de Imprensa

Nº da Notícia:eso2310pt
Nome:Extremely Large Telescope
Tipo:Unspecified : Technology : Observatory
Facility:Extremely Large Telescope

Imagens

Imagem noturna do ELT em construção no topo do Cerro Armazones
Imagem noturna do ELT em construção no topo do Cerro Armazones
Imagem de drone do ELT em construção no Cerro Armazones
Imagem de drone do ELT em construção no Cerro Armazones
O ELT em construção, visto de cima
O ELT em construção, visto de cima

Vídeos

A construção do ELT vai a meio! | Atualizações do ELT
A construção do ELT vai a meio! | Atualizações do ELT